Na quinta-feira, 12 de junho, durante a sua visita oficial a Itália, o Ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, participou numa conferência de imprensa conjunta antes da reunião ministerial de «Weimar+» em Roma. O Ministro dos Negócios Estrangeiros referiu que a conversa entre os parceiros se centrará nas possibilidades de aumentar a pressão sobre a Rússia.
"Precisamos de passos claros em frente e de uma demonstração de força e unidade. Oferecerei aos nossos aliados a nossa visão do que esperamos dos documentos e decisões finais. Contamos com a determinação dos nossos parceiros neste momento, a bem da paz e da segurança na Europa. Queremos acabar com esta guerra este ano. É por isso que é tão importante pressionar o agressor para que chegue a um cessar-fogo que abra caminho a novas negociações", sublinhou o Ministro.
Andrii Sybiha informou aos presentes que, atualmente, as perdas da Rússia na guerra contra a Ucrânia atingiram mais de um milhão de ocupantes mortos e feridos. Sublinhou que, apesar destas enormes perdas, Putin não alcançou quaisquer objectivos estratégicos e que só a pressão fará com que a Rússia procure a paz e neutralizará a ameaça para a Ucrânia e para o resto do mundo.
O ministro referiu ainda que a Rússia continua a rejeitar as propostas de paz dos EUA e que Putin continua a evitar encontrar-se com o Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy. "Em Istambul, a Rússia apresentou um conjunto de ultimatos antigos e irrealistas, demonstrando mais uma vez a sua inadequação ao mundo. E isto apesar do facto de os Estados Unidos da América esperarem que estas propostas fossem realistas e implementáveis", afirmou.
O Chefe da diplomacia ucraniana sublinhou que a diplomacia de apaziguamento não funciona com a Rússia, uma vez que Moscovo continua a ignorar os esforços de paz do mundo. "Chegou a altura da diplomacia da pressão. Só a pressão fará com que a Rússia procure a paz. Pressão económica, militar e política", sublinhou.
Segundo o ministro, a pressão deverá incluir sanções devastadoras contra as empresas de energia e os bancos russos, a redução do teto do preço do petróleo russo até 30 dólares, a utilização de ativos congelados, além do aumento da capacidade de defesa da Ucrânia, novos pacotes de assistência militar e o reforço da defesa aérea. A pressão política deve incluir decisões firmes após as cimeiras da UE, da OTAN e do G7, baseadas no princípio de que a segurança da Ucrânia, da UE e da OTAN é indivisível.
Andrii Sybiha condenou ainda as felicitações públicas de alguns países ao agressor russo. "Não pode haver recompensa pela agressão. Não pode haver recompensa para o país agressor", enfatizou o ministro.
O diplomata ucraniano partilhou os detalhes de uma visita conjunta a Kherson com o seu homólogo lituano. "As crianças em Kherson estudam em escolas subterrâneas, as mulheres dão à luz num abrigo subterrâneo, numa maternidade. As ambulâncias vão ter com as pessoas, equipadas com sistemas de guerra eletrónica para evitar ataques do agressor russo. Isto é anormal. O povo ucraniano tem direito a uma vida normal", enfatizou.
Andrii Sybiha expressou profunda gratidão aos seus parceiros pela assistência que a Ucrânia recebe e agradeceu ao seu colega italiano Antonio Tajani pelo convite e pela hospitalidade.