Hoje continuamos a revelar novas páginas da história comum da Ucrânia e de Angola, divulgando documentos de arquivo únicos que comprovam o elevado profissionalismo, a dedicação ao dever militar e o contributo significativo da 901.ª Companhia Independente de Pontes Flutuantes das Forças Armadas da Ucrânia para o cumprimento da missão de manutenção da paz das Nações Unidas em Angola (UNAVEM III), em 1996.
Estes documentos constituem uma prova incontestável de que os militares ucranianos, em Angola, não se limitaram ao cumprimento de missões militares. Desenvolveram igualmente uma vasta missão humanitária: salvaram vidas humanas, prestaram assistência médica, participaram na vacinação de crianças angolanas e contribuíram para o restabelecimento da paz e da estabilidade num país que sofreu durante décadas com a guerra civil.
«Os Capacetes Azuis Ucranianos em Angola: uma missão que salvou vidas»
Ao analisar os documentos de arquivo do contingente ucraniano da missão das Nações Unidas em Angola (UNAVEM III), constatamos, uma vez mais, que a presença da Ucrânia em Angola foi muito mais ampla do que o simples cumprimento de tarefas militares. Os militares ucranianos construíram pontes e estradas, desminaram territórios, garantiram a mobilidade das forças de manutenção da paz e, simultaneamente, desempenharam uma missão humanitária de enorme importância: salvar vidas humanas.
A 901.ª Companhia Independente de Pontes Flutuantes das Forças Armadas da Ucrânia chegou a Angola em 16 de março de 1996, em conformidade com a decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Os militares ucranianos encontraram um país devastado por mais de três décadas de guerra civil.
Os documentos de arquivo da época testemunham uma situação humanitária extremamente difícil. Grande parte das infraestruturas encontrava-se destruída. Os hospitais estavam parcialmente em ruínas, existia uma grave escassez de médicos, profissionais de saúde, medicamentos e equipamentos. Em muitas regiões não havia fornecimento de eletricidade nem acesso a água potável. Estradas e pontes estavam destruídas ou minadas, tornando qualquer deslocação extremamente perigosa.
Foi precisamente nestas circunstâncias que os médicos militares ucranianos organizaram um sistema completo de apoio médico ao contingente de manutenção da paz. Foi criado um posto médico, um laboratório, salas de tratamento e de pensos, uma farmácia, uma enfermaria com cinco camas, bem como um sistema de purificação de água e postos sanitários de campanha.
Foi dada especial atenção à prevenção das doenças infecciosas. Os médicos ucranianos combateram diariamente a malária, a disenteria, a hepatite viral, a febre tifóide, a tripanossomíase, a esquistossomose, as filarioses, a leishmaniose e outras doenças tropicais perigosas. Era efetuado um controlo permanente da qualidade da água e dos alimentos, assim como medidas sanitárias e epidemiológicas e ações preventivas contra picadas de cobras e insetos.
Apesar das condições climáticas extremamente difíceis, da grande distância dos acampamentos (até 900 km do hospital-base), das dificuldades logísticas e do perigo constante representado pelas estradas minadas, os médicos militares ucranianos cumpriram a sua missão com elevado profissionalismo.
Segundo dados oficiais, durante a permanência da unidade ucraniana em Angola foram realizados 803 atendimentos médicos, dos quais:
Contudo, os números mais impressionantes dizem respeito à assistência prestada à população civil.
Os médicos militares ucranianos prestaram assistência médica a 1.835 cidadãos angolanos.
Tratava-se de pessoas que, durante anos, não tiveram acesso a cuidados médicos qualificados.
Dezenas de pacientes foram internados na enfermaria da unidade ucraniana. Os casos mais graves foram evacuados para o hospital de campanha ou para o hospital militar em Pretória (República da África do Sul). Os médicos ucranianos trataram vítimas de explosões de minas, acidentes rodoviários, ferimentos por arma de fogo e doenças infecciosas graves.
Particularmente simbólica foi a participação dos médicos ucranianos na luta contra a poliomielite. Em agosto e setembro de 1996, integraram a campanha de vacinação infantil na província de Malanje.
Os médicos ucranianos vacinaram 628 crianças angolanas.
Os documentos de arquivo referem igualmente que o pessoal médico do contingente ucraniano salvou repetidamente vidas não apenas de militares ucranianos, mas também de militares de outros contingentes das Nações Unidas e de cidadãos angolanos vítimas de minas, confrontos armados ou acidentes rodoviários.
Graças ao elevado profissionalismo dos médicos militares ucranianos, o nível de doenças infecciosas entre o contingente da Ucrânia foi um dos mais baixos entre todas as unidades militares da missão das Nações Unidas em Angola.
Estes documentos recordam-nos, uma vez mais, que os militares ucranianos deixaram em Angola muito mais do que pontes, estradas e infraestruturas reconstruídas. Deixaram vidas salvas, centenas de crianças vacinadas, assistência prestada a milhares de pessoas e um profundo respeito do povo angolano.
Hoje, quando a própria Ucrânia luta pela sua liberdade, é particularmente importante recordar que o nosso país sempre foi um membro responsável da comunidade internacional. Os militares ucranianos levaram a outros países não a guerra, mas sim a paz, a segurança, o profissionalismo e a humanidade.
É com estas ações que se constrói uma verdadeira história de amizade entre a Ucrânia e Angola. É com pessoas como estas que se escreve a história das missões de manutenção da paz da Ucrânia.
A Embaixada da Ucrânia na República de Angola expressa a sua sincera gratidão ao Coronel Oleksandr Mykolaiovych Pinchuk, comandante da 901.ª Companhia Independente de Pontes Flutuantes da 91.ª Brigada de Engenharia e Sapadores das Forças Armadas da Ucrânia, pelo apoio prestado na localização destes documentos de arquivo e pela divulgação desta informação de extraordinária importância histórica.
Estamos convictos de que a memória dos militares ucranianos que serviram em Angola deve ser preservada condignamente para as gerações futuras. O seu contributo para o restabelecimento da paz constitui uma parte integrante do património histórico comum da Ucrânia e de Angola e um sólido alicerce da amizade entre os nossos povos.