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De Angola, o Papa Leão XIV apelou à paz na Ucrânia e a um desenvolvimento justo para a África
20 abril 2026 11:54

O Papa, Santo Padre Leão XIV, realiza uma visita apostólica de quatro dias a Angola, tendo chegado a Luanda na segunda metade do sábado, 18 de abril de 2026. Leão XIV é o terceiro Papa a visitar Angola, depois de João Paulo II (1992) e Bento XVI (2009).

No seu discurso (https://shorturl.at/Uqtud), o Papa apelou aos valores cristãos e universais, cujos principais temas e ideias-chave foram:

(1) Saudação e expressão de solidariedade. O Papa agradeceu ao Presidente pelo convite e manifestou proximidade em oração às vítimas das cheias na província de Benguela, destacando a solidariedade com o povo angolano.

(2) A riqueza espiritual da África. O Papa sublinhou que a África é, para todo o mundo, uma fonte de alegria e esperança. Observou, ao mesmo tempo, que a sua juventude e os mais pobres continuam a sonhar e a aspirar à mudança. O desejo do imperecível, inscrito no coração humano, é um motor mais profundo das transformações sociais do que qualquer programa político.

(3) Crítica à lógica exploratória. O Papa condenou o modelo “extrativista” de desenvolvimento, que discrimina e exclui. Observou que Angola — tal como toda a África — é demasiadas vezes objeto de interesse apenas para “retirar algo”. Citando o Papa Paulo VI, chamou a tal civilização “ultrapassada e anacrónica”.

(4) Superação dos conflitos. Referindo-se ao Papa Francisco, Leão XIV exortou os líderes a não ignorarem os conflitos passando ao largo, nem a ficarem prisioneiros deles, mas a transformá-los num “elo de um novo processo”. Aconselhou as autoridades a colocarem o bem comum acima dos interesses partidários e a não temerem a diversidade de opiniões.

Em 19 de abril de 2026, o Papa presidiu à Missa em Kilamba, município da capital angolana. Construiu a homilia a partir do episódio evangélico dos discípulos no caminho de Emaús, vendo nele um reflexo da história de Angola — “um país belo, mas ferido”, que viveu guerra civil, pobreza e divisões.

Assim como Cristo encontrou os discípulos desanimados e lhes devolveu a esperança, também hoje — sublinhou o Papa — Ele está vivo, ressuscitado, e caminha ao lado dos angolanos. Leão XIV advertiu os fiéis contra a mistura da religiosidade popular com elementos mágicos e supersticiosos, exortando-os a permanecer fiéis ao ensinamento da Igreja e a manter o olhar voltado para Jesus na Palavra e na Eucaristia.

Ao concluir, o Papa convidou a construir um país onde as antigas divisões sejam superadas, desapareçam o ódio e a violência, e a corrupção seja substituída por uma cultura de justiça. “Não tenhais medo de o fazer!”, disse ele, dirigindo-se especialmente aos jovens.

Após a Santa Missa, o Papa Leão XIV expressou solidariedade com o povo da Ucrânia, que sofre ataques intensificados, e apelou ao diálogo, apoiando também os esforços diplomáticos no Líbano (https://www.vaticannews.va/en/pope/news/2026-04/pope-leo-xiv-regina-coeli-angola-appeal-dialogue-ukraine-lebanon.html).

Apelando a uma solução diplomática para a guerra na Ucrânia, o Papa afirmou: “Lamento profundamente o recente aumento dos ataques contra a Ucrânia, que continuam a atingir a população civil”, e expressou a sua proximidade e orações por todos os que sofrem. “Volto a apelar para que as armas se calem — acrescentou — e que se escolha o caminho do diálogo.”

O Papa mencionou também a trégua no Líbano, chamando-a de sinal de esperança: “a trégua anunciada no Líbano é um sinal de esperança que traz alívio ao povo libanês e a todo o Levante”. “Exorto aqueles que procuram uma solução diplomática a continuar a percorrer o caminho da paz, para que a cessação das hostilidades em todo o Médio Oriente se torne duradoura.”

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